segunda-feira, 25 de outubro de 2021

consumimo - nos sem moderação

porque se o amor è moderado

já não è amor
 

somos

ridículos na maneira como

nos amamos mas sò quem

nunca amou è ridículo
 

o amor è capaz de ser a melhor

maneira de se ser ridìculo

Prometo - te amar atè ao limite

beijar - te atè a última fronteira

correr quando bastava andar

voar quando bastava saltar
 

prometo abraçar - te

 com o interior dos meus ossos

percorrer - te a carne com a fome

 absoluta e ir a procura do orgasmo

todos os dias a toda hora encontrar

a felicidade no doce absurdo que

soubemos destinar




Amo o que me fizeste ser

amo cada vez mais a poesia

que com ela me torno

amo saber que tenho em mim

o que me faz querer dentro

de mim e somos dois prisioneiros

mais livres de todo o universo

eu e a poesia somos os dois os mais

felizes da história da humanidade

completamente feliz torno - me na

 minha própria poesia não sigo manuais

que ensinam o amor em parte - time o 

amor saudavelzinho o amor em dose

dividido em rações  o amor como uma empresa

que tristeza consumimo - nos sem moderação

porque o amor se è moderado jà não è amor
 

Quero estar vivo

para poder amar - te

conheces melhor motivo 

que esse ?


è claro que amo a minha

vida e tudo aquilo que

ela tem me dado


mas se quero estar vivo

è antes demais nada 


porque è a vida que te

trás atè mim

mudei a minha vida toda

para te dedicar e sou feliz


e não deixo de ser a  mesma pessoa

que sempre fui com paixões e ideias

não deixo de ser o homem singular

que se apaixonou por ti e simultaneamente

pela poesia sou mais sempre que sou teu

e sou sempre teu
 

Preciso de ti

para cuidar de mim o amor è bem capaz

de ser precisar do outro para cuidarmos

de nòs e eu cuido - me
 

domingo, 24 de outubro de 2021

Preciso

de ti para precisar de mim

e os que não entendem que

vão para o raio que os parta


os que dizem que isto não

nada recomendável que isto

não devia ser assim


que eu devia ser capaz de ser

quem sou sem precisar de ti

infelizes
 

preciso de ti

para pensar em mim

sei porque quando

parece que vais eu

vou tambèm


deixo de saber quem sou

como sou para onde vou
 

Discutir

è abrir a válvula do amor

deixa - lo respirar

sangra - lo para poder

regressar a estrada

nenhum amor aguenta

sem singrar
 

preciso de ti

o amor è capaz de ser a melhor maneira

de nos encontrarmos connosco

preciso de ti para saber de mim


sei - o sempre que por minutos

parece que vou perder - te

numa discussão que vamos

tendo
 

Amo - te

por culpa de quem me ama tanto mas não ès tu

a maldade do mundo è haver tanta gente e sò tu

ès tu e não perdoo a Deus ter criado milhões de 

possibilidades milhões de braços e de abraços 

tantos lábios afinal e nenhum  me dar

a crueldade do amor quantas vidas são necessárias

para te encontrar outra vez
 

Na lua nova

de recurvo brilho renovas a paixão

no céu de cio crescente

a chama aleita e serpente serás


encontraste a vir lua cheia e quando

bacante mesmo minguante prendo - te

 a cintura na quadratura de cada mês

cada vez desvendo com arte sanguínea

 a face da tua lua escarlate
 

Que esta minha vontade de partir

se transforme na calma

e na paz que eu mereço

e que essa tensão que me

corrói por dentro seja

recompensada


porque metade de mim

è o que penso mas a outra

metade è um vulcão
 

Que as palavras que eu digo


 não sejam ouvidas como prece

e nem repetidas com fervor

apenas respeitadas como a única

coisa que resta a um homem inundado

de sentimentos


porque metade de mim è o que ouço

a outra metade è o que calo

Que a musica que eu ouço

ao longe seja linda

ainda que tristeza

que a mulher que eu

amo seja para sempre

amada mesmo que distante

porque metade de mim è partida

a outra metade è saudade ...
 

Que a força do medo

que tenho não me impeça de ver o que anseio

que a morte de tudo o que acredito não me tape

os ouvidos e a boca


porque metade de mim è o que grito mas a outra

metade è o silêncio
 

Que não seja


 preciso mais do que uma simples alegria

para fazer aquietar  o espírito e que o teu

silencio fale - me cada vez mais

porque metade de mim è plateia

e a outra metade è canção

e que a minha loucura seja perdoada

porque metade de mim è amor e a

outra metade tambèm

Que o medo da solidão se afaste

e que o convívio comigo mesmo

se torne ao menos suportável

que o espelho se reflicta no

meu rosto um doce sorriso

que me lembro ter tido na infância

porque metade de mim è lembrança

do que fui e a outra metade eu não

sei ...
 

Digo te adeus

vou - me embora

que  os versos que

eu te escrever nunca

os leràs  sei agora que

nunca aprendeste a ler
 

Neste

que se enquadra no tempo

que vai passar termino

mais esta quadra feita

ao gosto popular
 

Morrer

de amor è assim como

  uma causa perdida


eu sei falo por mim

vou morrer cheio

de vida
 

Qual è a medida

de um verso que fale

do meu amor

não me chega o universo

porque o meu verso è maior
 

Morrer de amor è assim

quem morre de tempo certo

certo tempo è a rosa  do deserto

que tem raìzes no vento
 

Sim

tu estás em toda a parte

tão perto dentro de mim

tão ausente de mim e estou

perto de ti porque te amo
 

Nesta noite

sei apenas dos teus gestos

e procuro o teu corpo

além dos meus dedos

trago as mãos distantes

do teu peito
 

Canto os teus olhos

mas não sei do teu rosto

quero a tua boca aberta

em minha boca e amo - te

como se nunca te tivesse

amado porque tu estás em mim

mas ausente  de mim
 

Estou mais perto de ti

porque te amo os meus beijos já nascem

na tua boca não poderei escrever o teu

nome com palavras tu estás em toda parte

e enlouqueces - me
 

Amei demais

sempre demais e o que dei

esta espalhado pelos sítios

onde vais e pelos anos longos

que passei à procura de ti de mim

e de mais ninguém e os milhares

de versos que rasguei antes de ti

eram perfeitos mas banais
 

Demais

foram as sombras mais e mais

cada vez mais ardentes as sombras

que tirei do imenso mar de sol sem

praia ou cais onde parti se saber porque

embarquei
 

Amei demais

madruguei  demais

fumei demais foram

demais todas as coisas

que na vida eu emprenhei


vejo agora agora grávidas

redondas coisas tais como

as tais coisas nas quais nunca

pensei
 

sábado, 23 de outubro de 2021

Posso escrever os versos mais tristes


 esta noite eu amava e às vezes

ela tambèm me amava

em noites como esta eu segurava

nos braços eu a beijei tantas vezes

sob o céu infinito ela me amava às 

vezes eu tambèm a amava como eu

não poderia ter amado seus grandes

olhos fixos

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

posso escrever

os versos mais tristes esta noite

a noite è estrelada e as estrelas

tremem ao longe azuis o vento

nocturno gira no céu e canta
 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

amor è um arder

que não se sente

è ferida que dói e não

tem cura que no peito

faz secura


è mal que as forças

tira de repente

è fogo que consome

ocultamente


è dor que mortifica

a criatura

è ânsia mais cruel

e mais impura

è fràgoa que devora

o fogo ardente


è um triste penar entre lamentos

è um não acabar sempre penando

e um andar metido em mil tormentos


è suspiros lançar de vez em quando

è quem me causa eternos sentimentos

è quem me mata e vivo da - me


 

eu não sou de ferro

e atenuado ainda que o fora

o uso me teria porque em fim

de trabalho na porfia se consome

o metal mais obstinado instrumento

não há tão reforçado que resista o tempo

a bataria gasta o martelo a safra e a terra

fria pouco a pouco consome o curvado

arado tudo assim è o amor o mais ardente 

no contínuo incêndio se evapora e o mesmo

acontece ultimamente outro procura pois

e de melhora de amante ou mais afouto 

ou mais valente que eu já não posso 

fica - te embora
 

sou fresco como a água

a sede mas è escuro

para là chegar


nasci num mundo pequeno

onde o aspecto è mais importante

que a alma


onde o que tu ès depende do que possuis

e não do coração que bate dentro de ti

 

o amor

è a força desmedida

que faz sonhar e por

ele mudar o rumo da

nossa vida
 

amar - te è viver

viver è sofrer

sofrer è querer - te

ter - te  ter - te è um

prazer
 

ao teu lado

não há muros

silêncios morte


por cada espinho

de aço

cravado em nossa carne

há um rio de sangue e primavera
 

a meu lado

voa a minha sombra

companheira inseparável

e silenciosa das alegrias

e angústias quotidianas
 

voemos

sobre tanta grandeza malograda

voemos na brisa deste momento
 

quase sem vigor

a árvore cresce num solo ingrato

e em seus torcidos galhos já não

pousam as aves

 

a toda minha

grandeza e miséria

contemplo - me

que fiz onde o que

ambicionei ?
 

ergo - me no voo

no tempo plenamente desperto

no sonho vou firme nas rédeas

deslizo velozmente


tanta luta tanta coisa mesquinha

tanta baixeza e desespero tanto

que as vezes o peixe salta do seu

aquàrio
 

adeus meu amor

adeus !

olhai como esta

aragem è perfumada !
 

là em baixo

o rio e os barcos

os peixes e os que

à linha julgam pode - lo

liberta - los
 

domingo, 17 de outubro de 2021

sobre os teus ombros

sobre as folhas que inundam

os  teus pensamentos deslizam

como as águas e há um silêncio

há uma ferida uma sombra que

passa   o teu corpo na clareira

è uma onda e um fruto e um sabor

da luz è uma palavra e uma árvore
 

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Estamos a morrer

na boca um do outro por isso è que nos desfazemos no arco do verão , no pensamento da brisa , no sorriso , no peixe , no cubo , no linho , n...