quarta-feira, 29 de setembro de 2021

eu olho com saudade

esse futuro em que serei mais

em que serei mais único que

depois e essa saudade  com

 que sinto dois


 

cada dia è tão um sò


 dura tão pouco pouco e arde tanto

quando mais de mim espanta mais

o tèdio

tiveste a vaga doçura

do que nesse mundo fugiu

na memória apenas dura

sorrir porque sorriu
 

ah ... fugidia doçura do que

do que nem nem se descobriu 

nuvem negra de amargura que 

a lua cobre e a cobriu fica a

lembrança e a ternura do que

 não se possui
 

não me lembra que lembrança

por acaso o alumiou ou se foi fè a esperança

que nele me clareou fui um momento a criança

que morri e não voltei
 

aquele breve sorriso

que a tristeza entendeu no ar já impreciso

que já nascendo morreu de que veio esse sorriso ?

porque è que ele foi meu ?
 

ao certo não sei

não sei se è verdade se è somente lei

depois te direi ou talvez não diga

que vale o dizer ?
 

trabalha tudo aqui perto

batem chapas há motores

e eu olho as casas e as cores

modo de olhà - las quase entes

isolado de onde estão tudo toma

uma expressão de si próprias inerentes

tudo existe com mais força que dado

existir coisas encoste - me as horas que

 torça minhas dolorosas mãos nada creio

 coisa ou vida sò arte
 

claridade nocturna

a claridade nocturna do rio

identifica o rumor das nossas

mãos litoral margem abismo

silêncio quando se despem de lua
 

além de nòs no agora


que não nos tem por vèu

vivemos a hora virados

para Deus e num mudo

compreenderemos tudo 

que importa ?

se o que foi entre nòs foi amor

se por te amar me dói já não te amar

e a dor tem um íntimo sentido nada

 será perdido
 

somos a nossa bruma

è para dentro que  cai - nos uma a uma

as compreensões que temos e ficamos 

no frio do universo vazio
 

talvez sintas como eu


 e não saibas  senti - lo ser è ser nosso vèu

amar encobri - lo hoje que deixei è que sei 

que  te  amei

sem dor

um pasmo vago de ter havido amar

quase que me embriago de mal

poder pensar o que mudou e onde ?

o que è que em nòs se esconde  ?
 

amamo - nos devoras?

amamo - nos ainda ?

se penso  vejo que eras

a mesma que ès ... finda

tudo o que amor assim

quase sem dor

como houve em nòs amor

e deixou de haver ?

sei que hoje è vaga

dor o que era tão prazer

mas não sei o que passou

por nòs e acordou
 

nòs não sonhamos

eras real e eu era real

as tuas mãos sinceras

o meu gesto tão leal

tu e eu lado a lado

isto è isto acabado
 

que foi real em nòs ?

que houve em nòs de sonho ?

que nòs fomos de que voz o duplo

eco risonho que unidade tivemos ?

o que foi que perdemos ?


 

amor

que rompe enfim os laços crus

do ser um tão singelo amor

que aumenta na ventura um amor

tão leal que aumenta no sofrer

 

è puro o meu amor

como os puros sacràrios è nobre a meu amor

como os mais fastos è grande como o mar

altissonos  e vastos è suave o odor dos lìrios solitários
 

Antigona


como te amo não sei de quantos modos vários

eu adoro - te mulher de olhos meigos e sensuais

belos e castos amo - te com o fervor dos meus

preitos diários

o amor que sinto por ti

rompe enfim os laços de crus do ser

um tão singelo amor que aumenta

na ventura um amor tão leal que

aumenta no sofrer
 

hoje

pergunto em mim quem foi que amei

beijei com quem perdi o fim aos sonhos

que sonhei procuro - te e nem vejo o meu

próprio desejo !
 

quantas vezes


 sentimos a alma contacto quantas vezes seguimos

pelo caminho abstracto que vai entre alma e alma

horas de inquieta calma

as tuas mãos contudo sinto

nas minhas mãos o nosso olhar fixo e mudo

quantos momentos vão para além de nòs

viveu nem nosso nem teu ou meu
 

em que espaço fictício

em que tempo foste o cilício que quando

em fè fechado não sentia e hoje sinto que

acordo e não me minto
 

não sei perdi - te

ès hoje real no mundo real

como a hora que foge e tudo

è igual a si próprio e è tão triste

o que vejo que existe
 

hoje

eu   busco - te e choro por te poder achar

e nem sequer te memoro como te tive a amar

nem foste um sonho meu porque te choro eu ?
 

não sei o que eras

creio que o mar o modo de olhar o meu sentir

o meu jeito de pensar eras a minha alma fora do

lugar e  da  hora
 

amei - te por te amar


 sò a ti eu não via eras o céu e o mar

eras a noite e o dia sò quando te perdi

è que eu te conheci quando te tinha

diante de mim do eu olhar submerso

não eras minha amante eras o universo

agora que não te tenho ès sò do meu tamanho


estavas longe na alma por isso eu não te via

presença em mim tão calma que eu não sentia

 sò quando o meu ser te perdeu vi que não eras

eu

terça-feira, 28 de setembro de 2021

noite

o silêncio è o teu gémeo infinito

quem te conhece sabe não buscar

morte visível vens desse-dentar

o vago mundo o mundo estreito

e aflito se os teus abismos  constelados

fito não sei quem sou qual o fim a dar a

tanta dor a tanta ânsia par do sonho e a tanto

incerto em que medito que vislumbro escondido

de melhores dias  ou horas no teu campo cabe ?

vèu nupcial do fim de fins e dores nem sei a

 angústia que  vens consular - me deixa que eu 

durma deixa que eu acabe e que a luz nunca

me venha despertar
 

a luz

vem das estrelas diz

pertence - lhes a elas ?

o aroma que vem da flor

è seu ? disse meu amor

problemas vastos meu bem

cada coisa em si contém

pensando claro se vê

que è pouco o que a mente lê

em cada coisa enfim è um ponto

de partida da estrada que não tem

fim perante este sonho eterno

falar em Deus céu inferno

ah ! dà nojo ver o mundo

pensar tão pouco profundo
 

a levíssima brisa

que sai da tarde morena na minha alma

imprecisa imprecisão entorna nada

conduz a nada nada serve de ser no

sossego da estrada nada vejo viver

o meu conhecer è triste o que tem

razão ? nada e o nada persiste

na estrada e no verão
 

A fuga

eu não aparecerei quando  tu me chamares

pois já estou contigo no teu chamar

quando penso em ti estás dentro de mim

e tudo já è o teu próprio pensar a tua presença

de ausência se veste em teu corpo onde a alma

escondida è a minha mente que està inteira  e è 

em mim que tu ès possuída fora de ti dado ao espaço

e ao tempo o teu corpo meramente teu de mim ausente

partilha a mudança o tempo è o lugar pertence a outra

lei de ti diferente no meu sonho de ti nada altera - te

noutra que contigo se compara a tua presença corpórea

è sò a parte de ti que de ti separa por isso a chama mais 

sem esperares por mim a tua voz ao meu sonho acrescentada

juntará mais beleza  ao meu pensar o teu corpo vivo na mente

habitada a tua voz è ouvida da distância mas aproxima a tua

sonhada presença mais nítida e clara que parecia na minha fantasia

fica imensa não chames mais a tua voz duas vezes repetida no espaço

verdadeiro quase seria como a realidade o segundo som e o eco do

primeiro chama uma sò vez e que eu imagine no segundo apelo de olhos

cerrados a visão do teu corpo a cintilar na memória visível dos teus  brados

PS . Brado significa  grito estrondoso è Sinónimo de grito clamor ou protesto


o rosto será o teu  prolongamento de olhos fechados para não sentir no apelo

premente de meu sonho fica longe calada mas sem vir pois virias perto demais

à vista e de meu pensamento irias para ti  vestindo em mim o teu corpo sonhado

( o sonho do teu corpo è o infinito )
 

a criança que ri

na rua a musica que vem do acaso

a tela absurda a estátua nua

a bondade que não tem prazo

tudo isso excede este rigor

que o raciocínio dà a tudo

e tem qualquer coisa de amor

ainda que o amor seja surdo
 

Confissões secretas ao meu amor

a ceifeira


ela canta pobre ceifeira julgando  - se

feliz talvez talvez canta e ceifa e a sua 

e a sua voz cheia de alegria e anónima

viuvez ondula como um canto de ave

no ar limpo  como um lumiar e há curvas

no enredo suave do som que ela tem a cantar

ouvi - la alegre  e entristece na sua há o campo

e a lida e canta como se tivesse mais razões para

cantar que a vida ... ah canta sem razão !

o que em mim sente està a pensar derrama o meu coração

a tua incerta voz !


 

Confissões secretas ao meu amor

cinza de ociosa incerteza 

que quer seja ou não seja

e não usa ter tristeza

que não força para ter tédio

que seja viver e nem anseia morrer
 

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Confissões secretas ao meu amor

crepúsculo interior alma sem nexo

e sem cor sem ter vida nem amor
 

Confissões secretas ao meu amor

à sombra da minha prece

minha alegria fenece e além

o sol da alma desce


significado de Fenecer ;

1. Findar ou terminar

2. Falecer ou perecer

3. Morrer ou alenuar - se


 Etm . de latim : Finiscere

Confissões secretas ao meu amor


 a barca dos meus sentidos voga

com remos perdidos por este mar

sem ruídos por este mar sem plagas

cujas doloridas vagas o tèdio vão tu afagas


Sinonimo de Plagas ; países , praias

Confissões Secretas ao meu amor

voga com perdidos remos

por este mar onde temos

que perdemos
 

Confissões Secretas ao meu amor

voga sem remos nem velas

por este mar sem procelas

sob este céu azul se estrelas



P.s ;  PROCELA substantivo feminino

1. uma tempestade no mar ; tormenta temporal

2. Sentido figurado . Grande agitação ; exaltação

do espírito
 

Confissões Secretas Ao Meu Amor

assim  cantas sem que existas

ao fim do luar pressinto melhores

sonhos que estes de ilusão
 

Confissões Secretas ao meu amor

cantas por ti a tua voz è uma ponte por onde passa

inúmero um segredo que nunca recebi murmúrio

de horizonte água na noite a morte que vem cedo


 

Confissões Secretas Ao Meu Amor

não  não è o teu canto que com o astro ao fundo

da noite imensa do meu coração em vão chama

 tanto  quem sou não sei ... e o mundo ?

renova amor a lembrada  canção
 

Confissões Secretas Ao Meu Amor

não a voz não è tua que se ergue e acorda

em mim murmúrios de saudade e de inconstâncias

o luar não vem da lua mas do meu ser afim a ausência

è à distância
 

Confissões Secretas Ao Meu Amor

a antiga canção amor renova agora

na noite olhos fechados a tua voz

dói - me no coração por tudo quanto

chora cantas ao pè de mim e eu estou

a sòs
 

Confissões Secretas Ao Meu Amor

O meu jardim e pomar hoje apenas

consistem em memórias a minha

alma ao ver na tristeza que a assistem

que os seres imortais em parte alguma céu

ou terra em sonho existem ainda o amor

e mais amor ainda por ti amo - te
 

Confissões Secretas Ao Meu Amor

a maldade juncou de apodrecidos frutos

o chão do meu pomar mas o meu ser não

 vestiu nem rancor nem luto ao ver desolar os seres 

impolutos que não têm acabar
 

Confissões Secretas Ao Meu Amor

a tristeza juncou da pétala da rosa

o chão do meu jardim e a alma que

em  mim goza a dor que me passa

em mim sò ficou mais inquieta ansiada

e sequiosa do que nunca teve fim


poetz0.blogspot.com

publicada em palavreado

dedicado a Ana Pereira

         fausto fonseca
 

Estamos a morrer

na boca um do outro por isso è que nos desfazemos no arco do verão , no pensamento da brisa , no sorriso , no peixe , no cubo , no linho , n...