em que serei mais único que
depois e essa saudade com
que sinto dois
nuvem negra de amargura que
a lua cobre e a cobriu fica a
lembrança e a ternura do que
não se possui
que nele me clareou fui um momento a criança
que morri e não voltei
que já nascendo morreu de que veio esse sorriso ?
porque è que ele foi meu ?
e eu olho as casas e as cores
modo de olhà - las quase entes
isolado de onde estão tudo toma
uma expressão de si próprias inerentes
tudo existe com mais força que dado
existir coisas encoste - me as horas que
torça minhas dolorosas mãos nada creio
coisa ou vida sò arte
identifica o rumor das nossas
mãos litoral margem abismo
silêncio quando se despem de lua
se por te amar me dói já não te amar
e a dor tem um íntimo sentido nada
será perdido
quase que me embriago de mal
poder pensar o que mudou e onde ?
o que è que em nòs se esconde ?
sei que hoje è vaga
dor o que era tão prazer
mas não sei o que passou
por nòs e acordou
as tuas mãos sinceras
o meu gesto tão leal
tu e eu lado a lado
isto è isto acabado
que nòs fomos de que voz o duplo
eco risonho que unidade tivemos ?
o que foi que perdemos ?
do ser um tão singelo amor
que aumenta na ventura um amor
tão leal que aumenta no sofrer
como os mais fastos è grande como o mar
altissonos e vastos è suave o odor dos lìrios solitários
eu adoro - te mulher de olhos meigos e sensuais
belos e castos amo - te com o fervor dos meus
preitos diários
um tão singelo amor que aumenta
na ventura um amor tão leal que
aumenta no sofrer
beijei com quem perdi o fim aos sonhos
que sonhei procuro - te e nem vejo o meu
próprio desejo !
pelo caminho abstracto que vai entre alma e alma
horas de inquieta calma
quantos momentos vão para além de nòs
viveu nem nosso nem teu ou meu
em fè fechado não sentia e hoje sinto que
acordo e não me minto
como a hora que foge e tudo
è igual a si próprio e è tão triste
o que vejo que existe
e nem sequer te memoro como te tive a amar
nem foste um sonho meu porque te choro eu ?
o meu jeito de pensar eras a minha alma fora do
lugar e da hora
eras a noite e o dia sò quando te perdi
è que eu te conheci quando te tinha
diante de mim do eu olhar submerso
não eras minha amante eras o universo
agora que não te tenho ès sò do meu tamanho
estavas longe na alma por isso eu não te via
presença em mim tão calma que eu não sentia
sò quando o meu ser te perdeu vi que não eras
eu
quem te conhece sabe não buscar
morte visível vens desse-dentar
o vago mundo o mundo estreito
e aflito se os teus abismos constelados
fito não sei quem sou qual o fim a dar a
tanta dor a tanta ânsia par do sonho e a tanto
incerto em que medito que vislumbro escondido
de melhores dias ou horas no teu campo cabe ?
vèu nupcial do fim de fins e dores nem sei a
angústia que vens consular - me deixa que eu
durma deixa que eu acabe e que a luz nunca
me venha despertar
pertence - lhes a elas ?
o aroma que vem da flor
è seu ? disse meu amor
problemas vastos meu bem
cada coisa em si contém
pensando claro se vê
que è pouco o que a mente lê
em cada coisa enfim è um ponto
de partida da estrada que não tem
fim perante este sonho eterno
falar em Deus céu inferno
ah ! dà nojo ver o mundo
pensar tão pouco profundo
imprecisa imprecisão entorna nada
conduz a nada nada serve de ser no
sossego da estrada nada vejo viver
o meu conhecer è triste o que tem
razão ? nada e o nada persiste
na estrada e no verão
pois já estou contigo no teu chamar
quando penso em ti estás dentro de mim
e tudo já è o teu próprio pensar a tua presença
de ausência se veste em teu corpo onde a alma
escondida è a minha mente que està inteira e è
em mim que tu ès possuída fora de ti dado ao espaço
e ao tempo o teu corpo meramente teu de mim ausente
partilha a mudança o tempo è o lugar pertence a outra
lei de ti diferente no meu sonho de ti nada altera - te
noutra que contigo se compara a tua presença corpórea
è sò a parte de ti que de ti separa por isso a chama mais
sem esperares por mim a tua voz ao meu sonho acrescentada
juntará mais beleza ao meu pensar o teu corpo vivo na mente
habitada a tua voz è ouvida da distância mas aproxima a tua
sonhada presença mais nítida e clara que parecia na minha fantasia
fica imensa não chames mais a tua voz duas vezes repetida no espaço
verdadeiro quase seria como a realidade o segundo som e o eco do
primeiro chama uma sò vez e que eu imagine no segundo apelo de olhos
cerrados a visão do teu corpo a cintilar na memória visível dos teus brados
PS . Brado significa grito estrondoso è Sinónimo de grito clamor ou protesto
o rosto será o teu prolongamento de olhos fechados para não sentir no apelo
premente de meu sonho fica longe calada mas sem vir pois virias perto demais
à vista e de meu pensamento irias para ti vestindo em mim o teu corpo sonhado
( o sonho do teu corpo è o infinito )
a tela absurda a estátua nua
a bondade que não tem prazo
tudo isso excede este rigor
que o raciocínio dà a tudo
e tem qualquer coisa de amor
ainda que o amor seja surdo
ela canta pobre ceifeira julgando - se
feliz talvez talvez canta e ceifa e a sua
e a sua voz cheia de alegria e anónima
viuvez ondula como um canto de ave
no ar limpo como um lumiar e há curvas
no enredo suave do som que ela tem a cantar
ouvi - la alegre e entristece na sua há o campo
e a lida e canta como se tivesse mais razões para
cantar que a vida ... ah canta sem razão !
o que em mim sente està a pensar derrama o meu coração
a tua incerta voz !
que quer seja ou não seja
e não usa ter tristeza
que não força para ter tédio
que seja viver e nem anseia morrer
minha alegria fenece e além
o sol da alma desce
significado de Fenecer ;
1. Findar ou terminar
2. Falecer ou perecer
3. Morrer ou alenuar - se
Etm . de latim : Finiscere
com remos perdidos por este mar
sem ruídos por este mar sem plagas
cujas doloridas vagas o tèdio vão tu afagas
Sinonimo de Plagas ; países , praias
por este mar sem procelas
sob este céu azul se estrelas
P.s ; PROCELA substantivo feminino
1. uma tempestade no mar ; tormenta temporal
2. Sentido figurado . Grande agitação ; exaltação
do espírito
inúmero um segredo que nunca recebi murmúrio
de horizonte água na noite a morte que vem cedo
da noite imensa do meu coração em vão chama
tanto quem sou não sei ... e o mundo ?
renova amor a lembrada canção
em mim murmúrios de saudade e de inconstâncias
o luar não vem da lua mas do meu ser afim a ausência
è à distância
na noite olhos fechados a tua voz
dói - me no coração por tudo quanto
chora cantas ao pè de mim e eu estou
a sòs
consistem em memórias a minha
alma ao ver na tristeza que a assistem
que os seres imortais em parte alguma céu
ou terra em sonho existem ainda o amor
e mais amor ainda por ti amo - te
o chão do meu pomar mas o meu ser não
vestiu nem rancor nem luto ao ver desolar os seres
impolutos que não têm acabar
o chão do meu jardim e a alma que
em mim goza a dor que me passa
em mim sò ficou mais inquieta ansiada
e sequiosa do que nunca teve fim
poetz0.blogspot.com
publicada em palavreado
dedicado a Ana Pereira
fausto fonseca
na boca um do outro por isso è que nos desfazemos no arco do verão , no pensamento da brisa , no sorriso , no peixe , no cubo , no linho , n...