segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Cólera de amor

Um dia despertei a tua cólera ergueste - te no meio

da torrente dos teus cabelos e agitaste as cobras dos


teus finos braços enquanto em teus dedos as jóias

brilhavam como teus olhos


desafiaste - me teus pès eram corolas cerradas e os teus

calcanhares de flor estavam unidos agitavas - te toda bela


como uma espada branca mas eu soube acalmar a tua ira

e finalmente inclinar - te sobre a minha boca teus olhos


eram astros no escuro rio da tua cabeleira solta e as tuas faces

eram na sua palidez suave a imagem da lua num lago de trevas


in Antologia Apòcrifa « OS HERDEIROS DO VENTO »

            Joaquim Pessoa
 

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