e vinhos de cada cor verdes maduros bastardos
há uma pedra de cal em cada olhar que respira
há uma dor que já dura desde que dura a mentira
há um muro levantado numa seara madura
verde mar
verde limão
são os teus olhos de medo
o vento è este segredo que
escreve em cada manhã
o nome dela na erva numa folha
numa pedra nos bagos de uma romã
acendo - te uma fogueira nas tuas
mãos acordadas
dou - te flores dou - te laranjeira
dou - te ruas dou - te estradas
dou - te palavras secretas dou - te
coragem e setas dou - te os meus dedos
crispados ponho cravos amarelos à volta
dos teus cabelos
dou - te o meu sangue vermelho e o meu
canto proibido dou - te o meu nome raiz
há muito tempo arrancada
dou - te esta calma guardada nos homens
do meu país
dou - te a fome do meu canto proibido
dou - te os meus braços em cruz e os
meus pulsos abertos
mas è por outra que vivo
pela liberdade neste país sem olhos
sem boca ( Rui Belo )
Joaquim Pessoa
in Poema da Resistência
( 1968 / 1971 )
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