Europutas de meio que me dàs ao muito que não dou mas que sempre
conservo entre as coisas mais puras de uma Genebra a mais num bar de
Amesterdão e não perder o pè numa praia da Grécia de tantas mãos que nos
passam pelas mãos e tão poucas que são as que nunca se esquecem de ter visto
o começo e o fim da Via Àpia de ter atravessado o muro de Berlim de outros
muros que não aparecem no mapa de outros muros que sò aparecem aqui ao barro deste céu que te molesta os ombros ao sopro deste céu que vem ao nosso encontro quando sabe que nòs precisamos dele de pertinaz presença
e da longevidade do corvo do chacal do louco do Eunuco ao rouxinol que morre
em plena madrugada à rosa que adormece em caules de um minuto de que foi noutro
tempo a saúde no campo à lepra que nos ròi a paisagem bucólica do tempo ao coração
minado pelo cancro dos rins ao infinito incubado na cólera do tempo ao coração mas
com pausa na pele como « Roma by night » entre dois aviões como passar o verão num
vegetal aberta como dizer que não que já não somos dois dos rins ao infinito a este que
não outro ao que rola nos rins ao que vai rebentar - te na câmara blindada e nocturna do
ùtero e nos transfere o fim para um pouco mais tarde da curva de entretanto à entrada do
poço soletrar em mim a ler nas tuas mãos como è rápido lento recto e sinuoso o percurso
que vai do tempo ao coração
IN David Mourão Ferreira
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