segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Do tempo ao coração

e volto a murmurar do cântico de amor gerado na Sumária às novas

Europutas de meio que me dàs ao muito que não dou mas que sempre


conservo entre as coisas mais puras de uma Genebra a mais num bar de

Amesterdão e não perder o pè numa praia da Grécia de tantas mãos que nos


passam pelas mãos e tão poucas que são as que nunca se esquecem de ter visto

o começo e o fim da Via Àpia de ter atravessado o muro de Berlim de outros


muros que não aparecem no mapa de outros muros que sò aparecem aqui ao barro deste céu que te molesta os ombros  ao sopro deste céu que vem ao nosso encontro quando sabe que nòs precisamos dele de pertinaz presença

e da longevidade do corvo do chacal do louco do Eunuco ao rouxinol que morre

em plena madrugada à rosa que adormece em caules de um minuto de que foi noutro

tempo a saúde no campo à lepra que nos ròi a paisagem bucólica do tempo ao coração

minado pelo cancro dos rins ao infinito incubado na cólera do tempo ao coração mas

com pausa na pele como « Roma by night » entre dois aviões como passar o verão num

vegetal aberta como dizer que não que já não somos  dois dos rins ao infinito a este que 

não outro ao que rola nos rins ao que vai rebentar - te na câmara blindada e nocturna do

ùtero e nos transfere o fim para um pouco mais tarde da curva de entretanto à entrada do

poço soletrar em mim a ler nas tuas mãos como è rápido lento recto e sinuoso o percurso

que vai do tempo ao coração


IN  David  Mourão Ferreira
 

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