ferindo - se de ternura
dói - me a distante lembrança
do teu vestido caindo aos nossos
pès
Magoa - me a saudade do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar como a luz recolhendo - se
nas pupilas desatentas
seja eu de novo tua sombra , tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água , seiva
vegetal
sou agora gota trémula raiz exposta
traz
de novo , meu amor ,
a transparência da égua
da ocupação à minha ternura
vadia mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu
sono
in Mia Couto
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