segunda-feira, 8 de novembro de 2021

O AMOR

tudo mata quando morre

eu morro dia a dia


sabendo - o sentindo - o

com a morte do amor


 em mim esvaio - se ensandeceu

partiu espécie de sol por mãos ímpias


numa cratera de lua algures ou tristeza

de um retrato emudecido pela ausência


de vozes em redor sem ti a casa ficou deserta

de risos de acenos e afectos de tudo as mãos


ficaram ásperas secas a pele do rosto gretadas

frias e o sangue tornou - se lento espesso incapaz


de dar vida às pequenas folhas amareladas da imaginação

das  noites a erva cresce em redor de mim os limões ficaram


ressequidos sobre a toalha bordada num canto da mesa o amor

tudo mata quando morre detendo no seu movimento elementar


a maquina que ilumina o coração do tempo
 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Estamos a morrer

na boca um do outro por isso è que nos desfazemos no arco do verão , no pensamento da brisa , no sorriso , no peixe , no cubo , no linho , n...