eu morro dia a dia
sabendo - o sentindo - o
com a morte do amor
em mim esvaio - se ensandeceu
partiu espécie de sol por mãos ímpias
numa cratera de lua algures ou tristeza
de um retrato emudecido pela ausência
de vozes em redor sem ti a casa ficou deserta
de risos de acenos e afectos de tudo as mãos
ficaram ásperas secas a pele do rosto gretadas
frias e o sangue tornou - se lento espesso incapaz
de dar vida às pequenas folhas amareladas da imaginação
das noites a erva cresce em redor de mim os limões ficaram
ressequidos sobre a toalha bordada num canto da mesa o amor
tudo mata quando morre detendo no seu movimento elementar
a maquina que ilumina o coração do tempo
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